Luto e Enlutado pós Suicídio


O luto e suas fases já foram aqui tratados, mas quero aqui abordar um pouco a dor do enlutado pós suicídio.

Primeiro precisamos falar sobre o suicídio. Tema complexo que deixam enumeras marcas para quem fica. Mas para quem vai também tem uma história. Quem decide tomar atitude de cometer o suicídio é um último ato de romper com a realidade que tanto lhe traz dor, sofrimento, angústia e momento de grande desespero onde ele se vê em situação que não tem saída, enxerga um buraco negro em sua frente e nada mais será capaz de mudar essa situação.

A dor é tão grande que deixa marcas em algumas situações em seu corpo. Nele, ele registra seu sofrimento, deixa no físico explicito a dor que carrega dentro de si. Centraliza ali todo o pensamento que lhe rodeia, na tentativa de amenizar, dar conta de algo bem maior que já tomou conta da sua mente, alma, espírito e corpo.

As marcas deixadas em seu corpo é um marco, para cada um tem uma história que precisa ser lida, acolhida, entendida como um ato de salvação, de quem ainda tem chance, esperança de mudar o que causa grande tormento.

Então para quem fica, lidar com a agonizante história de quem se foi dessa forma é dolorosa. A sensação de incapaz, impotência toma conta de nós. Mas uma coisa precisamos saber, cada um é dono e responsável pela sua vida. Como a conduzimos e damos um fim nela. Esse ato é legítimo. Mas, entender a fundo o que fez ela tomar essa atitude é ponto chave. Muitas vezes ela vai deixando rastro, vai dando mensagens, pendido socorro. Não que isso seja fácil de identificar. Mas precisamos sentir as pessoas que estão em nossa volta. Precisamos olhar no olho de cada um.

Da mesma forma devemos respeitar a dor do enlutando, resgatar com ele a história de quem resolveu partir. É entender que ele não tinha responsabilidade de salvar a vida, ninguém salva vida de alguém, mas podemos salvar a dor das pessoas, assim como faremos com quem fica. Salvaremos a dor que é dilacerante dentro de nós. É ouvir onde dói. Construir essa dor e reconstruir as marcas de quem fica, fazer novos registros. Dar tempo. Tempo para que a pessoa processe o passado, presente e futuro.

E entender que existem lacunas em nossas vidas que não serão preenchidas, mas aprenderemos novos caminhos para essa dor, é como se pegássemos outro caminho, mas consciente que os caminhos já andados podem ser revividos, mas com proposito de amenizar o que doí. Reviver o caminho com sentimento de saudade, não de dor. Isso leva tempo.

Como diz Karina Okajima Fukumitsu: “Se tem vida, tem jeito”.
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© 2018 by João Alberto Gonçalves Salvador.