© 2018 by João Alberto Gonçalves Salvador. 

Psicoterapia: o reencontro com a alma.

 

O que me levou a escrever este post foram as inúmeras dúvidas e questões que acompanham os pacientes e pessoas interessadas em fazer psicoterapia. Entre elas: para que serve? Quais seus benefícios? O que adianta ficar de conversa se o meu problema é X? Algumas um tanto quanto resistentes: “... isso é coisa para louco!”, “... o que adianta ficar de conversa com alguém que não conheço, se o meu problema é X?”, entre tantas outras fantasias que povoam o imaginário coletivo.

 

Muitos pacientes chegam impregnados com uma percepção da psicoterapia como prática do modelo médico e, dessa forma, o fazem devido a um problema psicológico, que encaram como doença e como tal, acreditam que deve ser extirpado objetivamente de forma rápida. Assim, o que ocorre muitas vezes, é a busca por uma “porção mágica”, um comprimido ou qualquer outro “paraíso artificial” para alívio de seus problemas, recaindo sobre o psicólogo a responsabilidade de “curar” o paciente, por ser detentor de um suposto saber.

 

Ocorre que, na prática, não é bem assim que a banda toca! Primeiro, o conceito de cura, em psicologia analítica, vai muito além da eliminação dos sintomas. Sob essa ótica pode-se supor, que um indivíduo “curado” é um ser consciente e resiliente diante dos reveses e traumas possíveis em sua trajetória existencial; segundo que a solução de um problema psicológico é uma escolha do paciente, pois manter-se “doente”, muitas vezes, pode ser um desejo inconsciente deste, devido por exemplo, a demandas sociais (por exemplo, ganho secundário, sobre o qual falarei num outro momento). Como consequência, a melhora do paciente vai depender da sua mudança de atitude em relação ao problema.

 

Desde muito cedo, somos desviados de nossos princípios e valores por apelos emocionais que interferem constantemente em nossas escolhas. As festas de fim de ano são um bom exemplo, pois ocorre um bombardeio midiático que abre as portas para uma atitude consumista de parte da população. Claro que existem fatores pessoais envolvidos, mas a questão é que ao longo da vida sofremos a interferência alheia em nossas vidas, além de perdas e situações traumáticas até o ponto de não mais nos reconhecermos. Situações que alimentam a chamada sombra e abrem caminhos para as doenças. Sendo assim:

"O principal objetivo da terapia psicológica, não é transportar o paciente para um impossível estado de felicidade, mas sim ajudá-lo a adquirir firmeza e paciência diante do sofrimento. A vida acontece num equilíbrio entre a alegria e a dor. Quem não se arrisca para além da realidade jamais encontrará a verdade." (C. G. Jung).

 

Isso se torna possível através do encontro entre terapeuta e paciente, onde este fala de seu problemas e aquele escuta e intervém no momento oportuno, sem julgamentos e livre de preconceitos. A fala do paciente, verbal ou corporal, é o substrato para a construção de uma relação satisfatória consigo mesmo e com o mundo, através do reconhecimento da sombra e assim a aceitação de si mesmo e reencontro com sua essência para uma vivência satisfatória no mundo.

 

Nesse sentido, o trabalho do psicoterapeuta consiste em ajudar o paciente a desconstruir crenças e valores nocivos, internos e externos, que o desviam de seu caminho existencial possibilitando a reconstrução em sua subjetividade de novos valores e crenças, coerentes com sua essência. Em outras palavras, ajudar o paciente a ressignificar ou encontrar o sentido para aquilo que lhe sofrimento para, então, seguir em frente em condições de enfrentamento de futuras adversidades. Para isso, o psicólogo dispõe de material teórico e prático, além de uma atitude empática, desprovida de julgamentos e preconceitos. Vale ressaltar que todo o processo é sigiloso, proporcionando ao paciente a segurança e tranquilidade para se expressar livremente.

 

Como podem ver, psicoterapia é para para todos que buscam ferramentas para lidar com conflitos internos e externos, visando a saúde psíquica e emocional. Qualquer coisa diferente disso... é loucura.

Um abraço a todos! 

 

 

 

 


 

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29 Jun 2018

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