© 2018 by João Alberto Gonçalves Salvador. 

Autossabotagem: expressão simbólica de uma ferida existencial.

 

 Na vida, acumulamos vivências nem sempre agradáveis que, no balanço de perdas e ganhos, contribuem para nosso desenvolvimento. Podemos contabilizar vitórias, conquistas, mas também perdas e fracassos. Ocorre que, muitas vezes, nos acontecimentos negativos, as causas podem ser o resultado de nossas próprias ações, onde, de forma inconsciente, criamos uma condição emocional desfavorável à conquista de nossos objetivos. A essa atitude damos o nome de autossabotagem. Vale ressaltar que problemas, fracassos, dificuldades e perdas muitas vezes ocorrem, independente de nossas ações, mas no caso de atitudes autossabotadoras existe uma pré-disposição inconsciente para arruinar nossos objetivos, tornando-nos, assim, nosso pior inimigo.

Como atitudes autossabotadoras podemos citar pensamentos negativos, procrastinação, uso de álcool e drogas, tabagismo, exagero alimentar, entre outros comportamentos autodestrutivos. Muitas vezes, a consciência de tais comportamentos não garante a mudança do hábito e sua manutenção causa sofrimento psíquico/emocional por sua natureza autodestrutiva. Quase sempre, o autossabotador consegue nomear a causa para seus problemas, p. ex., falta de autoconfiança, falta de vontade, preguiça, crença de que nada dá certo em sua vida, desorganização, “encosto”, falta de persistência, entre outros.

A dificuldade desse problema reside no fato desse comportamento estarem escondidos  por “virtudes”, mantendo as atitudes autodestrutivas nas sombras. São várias as atitudes  destrutivas, entre elas:

  1. crenças negativas: pensamentos autodepreciativos (desvalorização de suas conquistas e potenciais);

  2. Distúrbios alimentares: comer de mais ou de menos não deixam de ser uma forma de auto agressão;

  3. negligência física e mental;

  4. passividade: a pessoa é incapaz de reagir diante de situações que podem lhe causar algum dano;

  5. Uso/abuso de substâncias ou automutilação.

Citei algumas das muitas características autodestrutivas, mas torna-se interessante notar que a autossabotagem se apresenta através de três personagens:

A vítima: comumente se apresenta no indivíduo por conta de carência afetiva, visando obter atenção valendo-se, muitas vezes, de doenças, dores e infortúnios (ganho secundário). Nessa relação, o outro é colocado no papel de “carrasco” ou abusadores.

O solícito: também por conta de carência afetiva, procura cuidar de tudo e de todos, se anulando, com o objetivo de obter aceitação e satisfazer sua necessidade de elogios.

O crítico: aparece em indivíduos que sofreram algum tipo de rejeição ou experiência negativa e, dessa forma, adquirem uma atitude extremamente crítica em relação a si mesmos e dos demais. A baixa autoestima, o sentimento de inferioridade e culpa estão presentes, mas quase sempre são identificados através do outro (transferência).

Nos três casos, a autossabaotagem é a expressão simbólica da ferida existencial do indivíduo diante de um sentimento de frustração, rejeição ou carência, que contribuem com sua baixa autoestima e, consequentemente, com a manutenção do sofrimento psíquico.

Diante do exposto, o objetivo da psicoterapia é auxiliar o indivíduo a trazer à consciência  e reconhecer tais aspectos subjetivos, bem como auxiliá-lo na elaboração das causas, lembrando que a dificuldade de mudança e aceitar o novo também é uma característica autossabotadora.

Um abraço a todos

 

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