© 2018 by João Alberto Gonçalves Salvador. 

Medo x ansiedade

 

Vivemos numa sociedade onde violência, desemprego, incertezas políticas e econômicas, entre tantos outros problemas, tendem a levar o indivíduo a situações onde o medo e a ansiedade entram em ação. Tratam-se de duas funções naturais do aparelho psíquico, visando a auto-preservação da vida, diante de uma situação concreta de perigo, ou se manter em alerta no caso de uma situação de perigo eminente não definido. No contexto atual, essas instâncias têm sido, muitas vezes, encarados como manifestações patológicas e combatidos de forma intensa. O post "Depressão e ansiedade custam US$ 1 tri por ano à economia global, diz OMS" (siga o link: www.recantonuminoso.com/posts/Depressão-e-ansiedade-custam-US1-tri) dá uma ideia do quanto transtornos ansiosos e depressivos têm custado à economia global.

Entretanto, qual a diferença entre medo e ansiedade? Quando são considerados transtornos? De acordo com o DSM V, o medo é uma resposta emocional a um perigo eminente real e percebido, onde o indivíduo é levado a um estado de excitação, preparando-o para lutar ou fugir. A ansiedade, por sua vez, trata-se da antecipação de uma ameaça futura, que leva o indivíduo a um estado de alerta e esquiva. Nesse caso, são condições adaptativas e duram enquanto o risco real ou eminente durar.

Agora, os transtornos de ansiedade caracterizam-se por respostas excessivas e persistentes e são, geralmente, causados por estresse, justamente por essa persistência. Muitas vezes, são acionados por situações idealizadas ou percepção superestimada do perigo e, como todo e qualquer transtorno, trazem desconforto e sofrimento ao indivíduo, que muitas vezes evita situações sociais, profissionais, de lazer ou situações comuns do dia a dia devido a uma percepção de perigo muito maior que o real ou preocupações excessivas. Basicamente, uma pessoa ansiosa busca, de forma inconsciente, manter o controle da situação, de modo a evitar situações adversas através da tentativa de antecipar-se a possíveis contratempos. Dessa forma, desenvolvem um estado de estresse, onde aparecem sintomas físicos e emocionais, tais como irritação, dificuldade de concentração, dores musculares, taquicardia, sudorese, inquietação, boca seca, insônia, entre outros. No Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais 5.ª edição ou DSM-5, estão classificados todos os transtornos de ansiedade... aguardem os próximos posts.

Causas:

Não se sabe ao certo as causas da ansiedade, mas pode-se destacar alguns envolvidos, dentre eles estão: fatores genéticos, decorrentes de histórico familiar; ambientais, em virtude de mudanças ou perdas significativas, violência domestica, crises financeiras; situações traumáticas (acidentes, violência, catástrofes naturais); doenças físicas como problemas cardíacos, disfunções hormonais, problemas respiratórios, dores crônicas; problemas na infância; uso abusivo de álcool, medicamentos e outras drogas, etc.

Vale ressaltar que o medo e a ansiedade se tornam patológicos quando o indivíduo deixa de viver plenamente por conta desses estados, devido uma percepção exagerada dos problemas cotidianos. Simbolicamente, os transtornos ansiosos, expressam uma realidade subjetiva insuportável na qual o ego perde o controle e levam o sujeito a encarar o mundo real impregnado de conteúdos internos. Dessa forma, a proposta da psicoterapia junguiana é ajudar o paciente a acessar tais conteúdos e ressignificar de maneira simbólica suas vivências internas e assim, criar condições de enfrentamento e, assim, responder adequadamente às suas demandas.

Um abraço a todos! 

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29 Jun 2018

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